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 Ao Porto G e ainda á Associação Abraço 
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Mensagem Ao Porto G e ainda á Associação Abraço
Foi durante o ano de 2012 que tive uma conversa acerca das DST's associadas ao sexo oral, com alguem que aqui escreve, em representação do PortoG. Foi uma curta troca de posts, que deixo agora aqui, com alguns comentarios..Ora bem, tudo começou com um artigo surgido no correio da manhã...

Bruno Wanderley Escreveu:
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/portugal/cientistas-alertam-para-os-perigos-do-sexo-oral

Fiquei preocupado com este "artigo" do correio da manhã, carissimo Ponto G. Podem me elucidar se aquilo que ali vem escrito, nomeadamente em relação á transmissão do HIV pelo sexo oral é verdade ou não ? Porque o titulo é impressionante e dá que pensar: " Cientistas alertam para os perigos do sexo oral ". Parece que "uma investigação realizada em macacos concluiu que o vírus se espalha muito rapidamente da boca para o resto do corpo". Mas não consigo perceber é depois o comentario de uma especialista : "uma investigadora do Centro de Prevenção da Sida da Universidade da Califórnia, já veio lembrar que o estudo em causa resultou da inclusão de doses muito concentradas de vírus na boca dos macacos e garante que o sexo oral muito raramente transmite o vírus da sida. Para prová-lo referiu um estudo anterior realizado em 400 homens que, durante um determinado período de tempo, apenas tiveram como actividade sexual praticar sexo oral. Apesar de poucos usarem preservativo e de a maior parte ter diversos parceiros, incluindo pessoas que sabiam estar infectadas com o VIH, nenhum dos homens foi infectado."Há qualquer coisa aqui que não bate certo...para que andaram a dar doses cavalares do virus aos pobres macacos, para depois chegarem aquela brilhante conclusão. Qual é a validade cientifica de um "estudo" destes ?
Mas mesmo que nem soubessemos que o "estudo" foi feito com concentrações brutais do virus, como explicar que não haja numeros absolutamente assustadores de transmissão do virus por esta via, tendo em conta a crescente promiscuidade e a quantidade de relações sexuais orais sem preservativo, que são feitas diariamente ao longo dos ultimos, va la, 30 anos ? Então porquê construir uma noticia com base num "estudo" desenhado para chegar a determinadas conclusões, que são falsas ? Quantos casos existem cientificamente comprovados de transmissão por esta via deste virus, Ponto G ?


A resposta do Porto G, demonstra não só desconhecer o estudo mencionado pela investigadora da Universidade da California, como aparenta desconhecer varios outros que chegam ás mesmas conclusões e remete-me no final do post, para um link onde havia uma revisão sistematica ou metanalise, de varios estudos efectuados com seres humanos.

PortoG Escreveu:
A probabilidade de alguém ser infectado pelo VIH através de sexo oral desprotegido (sem preservativo) tem motivado inúmeros estudos, mais ou menos científicos. A grande maioria dos estudos revela que o sexo oral desprotegido não é a via mais eficaz para a transmissão do VIH.[b] No entanto, não temos conhecimento de algum estudo que afirme, com toda a certeza, que essa transmissão não possa ocorrer por essa via[/b]. Alega-se que, em situações muito particulares (como as reproduzidas pelo estudo que mencionou) a transmissão possa ocorrer. Se a pessoa infectada estiver com uma carga viral muito elevada e se a pessoa "receptora" tiver uma porta de entrada (uma ferida, gengivite,...) pensa-se que é possível haver transmissão. Estas situações são muito difíceis de controlar: dificilmente saberemos se a carga da pessoa é, ou não, elevada, e dificilmente temos consciência das feridas na boca.

Há algo que é consensual: sexo oral sem preservativo não é sexo seguro! /b] Há uma série de infecções que podem ser transmitidas por esta via e que geralmente desvalorizamos e que podem afectar significativamente a nossa qualidade de vida. O VIH/SIDA não é a única doença que existe.

Pensamos que o seguinte artigo seja de fonte fidedigna e que o poderá esclarecer relativamente a esta questão.

http://www.gatportugal.org/content/defa ... 9D4F8007F0


Segue a minha resposta...

Bruno Wanderley Escreveu:
O prometido é devido. Vamos lá então descascar, a autentica casca de banana que são os estudos mencionados no link que o Pontog aqui deixou. Por aquilo que me apercebi são referidos alguns estudos que apontam para uma estimativa de risco zero e mais 5 estudos que apresentam uma taxa de contagio.
- um estudo estima 20% de taxa de contagio
- um estudo estima 1%
- um estudo estima 0,5%
- um estudo estima 0,4%
- um estudo estima 0,04%

Nem sequer vou perder tempo a comentar um estudo que apresenta uma estimativa de 20% de taxa de contagio, atraves do sexo oral sem preservativo. Vou portanto centrar-me nos restantes estudos, que apresentam taxas de contagio de [b]1 em 100, 5 em 1000, 4 em 1000 e finalmente 4 em 10000. Vamos lá pensar aqui em voz alta : quantas relações sexuais orais são feitas diariamente a nivel mundial ? OK, vamos retirar a população em geral e fixemo-nos no subgrupo da prostituição, onde podemos incluir mulheres, travestis e homosexuais. Quantas ? Quantas delas envolvem ejaculação na boca ? Vamos dar de barato os estudos que apresentam estimativas de contagio mais elevadas e vamos concentrar-nos no estudo que aponta o risco mais baixo, isto é, 4 em 10000 ( dez mil ), estudo esse que por acaso até foi feito a partir de modelos matematicos. Rapaziada, tendo em conta o brutal nº de relações sexuais orais feitas sem camisa diariamente, apenas no sub-grupo prostituição, tinhamos com esta taxa de contagio, numeros absolutamente devastadores a nivel do HIV. É preciso não esquecer que a larga maioria das prostitutas pratica sexo oral sem camisa e mesmo muitas que anunciam fazê-lo apenas com camisa, depois na pratica sabemos como é. Portanto a conclusão a tirar é que a prostituição, está basicamente quase toda contagiada e que apesar do periodo de incubação poder ser longo, os numeros são assustadores. Certo ? Errado. http://www.virusmyth.com/aids/hiv/rrbprostitute.htm
" Paradoxically, no heterosexual epidemic has occurred, and no evidence of female prostitutes transmitting HIV or AIDS into the heterosexual community exists for any Western nation. Reports by prominent researchers in the United States, Britain, and Germany have all concluded that acquisition of HIV by men from female prostitutes is almost always drug related. In fact, sexual acquisition of HIV and AIDS among female prostitutes themselves is almost unknown in the absence of concomitant intravenous drug use. "

I rest my case...


Posto isto a resposta do PortoG foi bastante elucidativa. Não refuta , ou contardiz algo daquilo que escrevo, como parte para reafirmar não só aquilo que já antes tinha escrito inumeras vezes noutros posts, como entra em considerações sobre o sabor do esperma ou o respeito que deve existir em relação aos parceiros sexuais, assuntos que nem sequer estavam em discussão.

PortoG Escreveu:
O Porto G fornece informação reunida a partir de fontes fidedignas (artigos científicos, investigação de especialistas ou de organismos ligados à respectiva temática, bem como da própria experiência adquirida ao longo da duração do projecto). A ideia é dar às pessoas ferramentas para que as suas escolhas sejam mais ponderadas e as suas decisões tomadas com consciência dos riscos que podem advir dos diferentes comportamentos.

A ideia não é de todo julgar ou entrar em moralismos, ou assumir "uma verdade como absoluta", até porque a ciência e o conhecimento estão em constante revolução e evolução:)

Voltando ao tópico, o Porto G reforça:

- Sabe-se que a probabilidade de contágio por VIH/SIDA no sexo oral é de facto baixa, mas não deixa de ser uma hipótese. Nunca se sabe quando é que podemos ser nós essa pequena percentagem. Para outras doenças, como a gonorreia, a hepatite, a sífilis, o herpes, entre outas, o sexo oral é uma forma “óptima” de transmissão. Optar por sexo mais seguro não é algo que se deva fazer só por causa do VIH/SIDA, ou só quando nos apetece ou em função da beleza e da simpatia de quem temos à nossa frente.

-Além do mais, o esperma pode ter um cheiro e um sabor muito intensos. Para algumas pessoas, o sabor ou o cheiro do esperma são agradáveis. Para outras são desagradáveis. Isto poderá contornar-se através do uso de preservativo e da higiene intima.

- Acima de tudo, é preciso respeitar os parceiros sexuais. Se a outra pessoa (parceira ocasional ou não) não quero fazer oral ao natural até ao fim, é importante RESPEITAR isso.


E foi então quando resolvi dar-lhe a conhecer, aquilo que pensam sobre estes assuntos, dois medicos especialistas nesta area. A opinião deles como se pode constatar é bastante diferente, para não dizer oposta, aquela que aqui continua a ser difundida sistematicamente pelo PortoG.
Edward Hook, MD Dr.Hook is medical director of the Sexually Transmitted Diseases Control Program for the Jefferson County Health Department in Birmingham, Alabama, and a professor of medicine/epidemiology at the University of Alabama at Birmingham. He is also co-director of the UAB Center for Social Medicine and STDs.
H. Hunter Handsfield, Dr. Handsfield is Professor Emeritus of Medicine, University of Washington Center for AIDS and STD, and former director of the Sexually Transmitted Diseases Control Program for Public Health—Seattle & King County, Seattle, Washington. He has been at the forefront of STD research and prevention for four decades and is the 2010 recipient of the American STD Association’s Distinguished Career Award, the nation’s highest accolade for STD expertise. Dr. Handsfield recently completed six years as a member of ASHA’s Board of Directors.

Bruno Wanderley Escreveu:
Mais do que estar a fazer algum juizo de valor sobre aquilo que tem vindo a repetir neste topico , achei por bem apresentar-lhe formalmente dois rapazes que se dedicam a estes temas. São apenas curiosos e pouco mais do que isso. No entanto quero que saiba PontoG, que não é por repetir até á exaustão, determinado tipo de "argumentos", que eles passam a ser validos.

http://www.medhelp.org/doctor_profiles/show/239123
http://www.medhelp.org/doctor_profiles/show/300980

PortoG Escreveu:
- Sabe-se que a probabilidade de contágio por VIH/SIDA no sexo oral é de facto baixa, mas não deixa de ser uma hipótese. Nunca se sabe quando é que podemos ser nós essa pequena percentagem.


"I am sure you can find lots of people who believe that HIV is transmitted by oral sex, but you will not find scientific data to support this unrealistic concern..." DR HOOK

"HIV is not spread by touching, masturbation, oral sex or condom protected sex."- DR. HOOK

"And oral sex is basically safe sex -- completely safe with respect to HIV... " DR HANSFIELD

PortoG Escreveu:
Se se pensar que apenas o simples contacto de secreções vaginais ou esperma em mucosas, úlceras ou pequenas feridas na pele pode ser o suficiente para sermos infectados/infectadas


"I would not say your risk ,if he had HIV is "slim to none"- that's too high. I would say they are effectively zero. How much of his ejaculate or other genital secretions you may have swallowed makes no difference. EWH "

"HIV is not spread by oral sex, giving or receiving, even if sores, gum disease or blood is present"
DR HOOK


PortoG Escreveu:
Para outras doenças, como a gonorreia, a hepatite, a sífilis, o herpes, entre outas, o sexo oral é uma forma “óptima” de transmissão.


"And oral sex is basically safe sex -- completely safe with respect to HIV and although not zero risk for other STDs, the chance of infection is far lower than for unprotected vaginal or anal sex. Please educate yourself about the real risks. If you stick with oral sex and condom-protected vaginal or anal sex, you have no HIV worries and very little worry about other STDs. " DR HANSFIELD


A resposta do PortoG foi mais uma vez reafirmar que as " opiniões dividem-se ". Mas elas não se dividem entre aqueles que são os verdadeiros especialistas nesta area. Quanto aos outros, ou seja, os que não o são, bem aí parece haver todoo tipo de opiniões.

PortoG Escreveu:
Olá Bruno,

repetir argumentos não os torna válidos, é um facto.
As opiniões dividem-se quanto à probabilidade de transmissão de VIH através do sexo oral, mas quanto a outras IST é um facto mais que comprovado. O Bruno tem a sua opinião e a sua perspectiva quanto ao assunto, o que é bom. Contudo, a nossa filosofia de intervenção é no sentido de aceitar as diferentes perspectivas e por isso, aceitamos a sua, mas quando não há consenso na investigação e existindo ainda uma probabilidade, por mais pequena que seja, partilha-mos e divulgamos (repetindo) essa informação.

O Bruno tem informação sendo naturalmente livre de pensar e/ou agir em consonância com as ferramentas de pesquisa que tem e de acordo com o seu bom-senso.

Cumprimentos,
PortoG


Curiosamente a unica coisa em que estavamos de acordo era em que como diz o PortoG neste ultiimo post " repetir argumentos não os torna válidos, é um facto. " Mas desde 2012 tem continuado a fazê-lo...
Estas opiniões completamente alarmistas relativamente ao sexo oral enfrentam pois dois problemas:
- O problema de aqueles que são os esepecialistas nestas materias, as refutarem...mas mesmo que tivessem de acordo, havia ainda outro problema...
- A realidade...acho que já nem vale a pena estarmos mais a falar sobre HIV associado ao sexo oral, mas mesmo em relação ás outras dst's como a gonorreia, a hepatite, a sífilis, o herpes, entre outas, em que o PortoG considera existir uma forma “óptima” de transmissão, isto não cola minimamente com a realidade. Se assm fosse e tendo em conta o nº de relações orais sem preservativo e pelo efeito de contagio em cadeia, teriamos pandemias sem conta e sucessivos alertas a nivel mundial por parte da OMS ( organização mundial de saude ). E a realidade é que apesar das condições de transmissão serem " otimas ", não existiu sequer uma epidemia, ou mesmo um pequeno surto.

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Mensagem Re: Ao Porto G e ainda á Associação Abraço
Faltou o link de onde foi retirada esta conversa : viewtopic.php?f=80&t=24107&start=15

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