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 Vamos falar de Criptomoedas? 
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Mensagem Vamos falar de Criptomoedas?
Onde está o meu dinheiro? Investidor em bitcoins exige respostas

O ataque, que terá rendido 2,7 milhões de dólares a quem se aproveitou de uma vulnerabilidade no sistema, e os problemas na bolsa Mt. Gox, estão a gerar muitas dúvidas sobre o futuro da "bitcoin".

http://www.jornaldenegocios.pt/mercados/bolsa/detalhe/wheres_my_money_bitcoin_investor_demands_answers.html

:smt023

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A reforma é como o horizonte uma linha imaginária que recua à medida que tu avanças...

28 Fev 2014
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Confrade
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Mensagem Re: Vamos falar de Criptomoedas?
BITCOIN - DINHEIRO DO FUTURO?

"A partir de um certo ponto, o dinheiro deixa de ser o objectivo. O interessante é o jogo" Aristóteles Onassis

1. Um pouco de história

Couro, penas, peixe seco, sal grosso, aguardente, tabaco. Tudo isto já funcionou como moeda corrente até à criação, na Grécia Antiga, da moeda sob a forma física que ainda hoje utilizamos e trazemos na carteira.

O dinheiro é um mecanismo engenhoso que começou por permitir obter os produtos desejados sem recorrer à troca directa que implicava um encontro de vontades que nem sempre acontecia – caso o vendedor não estivesse interessado nos produtos de que o comprador dispunha poderia este ficar privado de aceder aos artigos que desejava. A troca directa funciona perfeitamente enquanto o vendedor tem interesse em receber aquilo que o comprador tem para lhe entregar em troca da sua mercadoria – ou para seu uso directo ou porque percepciona que vai conseguir criar valor com uma troca posterior. Contudo, havendo divergência quanto aos produtos envolvidos ou aos respectivos valores percepcionados, esta dinâmica de troca deixa de funcionar.

Outro constrangimento bastante relevante no sistema de troca é, como resulta óbvio, a sua comodidade ou melhor a ausência dela. Não é muito prático andar carregado com sacos de produtos para trocar por outros produtos. As placas de barro da Babilónia foram uma primeira aproximação à invenção do dinheiro mas, apesar da genialidade da ideia, a sua materialização não conseguiu vingar. O principal problema foi o facto do lastro do dinheiro ter acabado por se perder uma vez que as placas de argila se deterioravam e perdiam utilidade e valor.

Para que o dinheiro se tornasse mesmo dinheiro, era necessário que o respectivo material tivesse durabilidade e resistência, além de possuir um valor intrínseco (que fosse percepcionado por todos da mesma forma) e de ser relativamente raro. Estavam encontradas as principais características do dinheiro como ainda hoje o concebemos e, à época, o sal cumpriu esse papel, durante bastante tempo e de uma forma muito eficaz.

O seu valor intrínseco era enorme, o mundo não tinha qualquer forma conhecida de refrigeração e a única solução de preservar a comida era através da utilização do sal. Por isso, esta matéria-prima tinha uma procura praticamente garantida e uma vez que o seu processo de extracção, do mar ou das minas, não era simples, foi sempre um bem relativamente raro.

A estas vantagens acrescia outra fundamental - a facilidade do seu transporte. Desse modo, foi natural que assumisse o papel de dinheiro, em várias culturas da Antiguidade. Resultou tão bem que ainda hoje persiste, etimologicamente, através da utilização da expressão “salário” para designar a remuneração recebida pelo trabalho efectuado.

Para além do sal, muitas outras matérias- primas foram utilizadas como dinheiro, ao longo do tempo e algumas perduraram mesmo depois da invenção da moeda tendo coexistido com ela. No estado norte-americano da Virgínia, por exemplo, o tabaco foi a moeda corrente mais usada desde a sua fundação como colónia, em 1607 e perdurou durante mais de 200 anos. Mesmo quando os Estados Unidos já eram um país rico e estabelecido, continuou a ser com tabaco que as pessoas, naquele estado, faziam compras ou pagavam impostos.

As formas exóticas de dinheiro foram sendo abandonadas até ao surgimento do primeiro grande veículo universal de troca - o primeiro metal usado em grande escala pela humanidade, aquele que acabaria por fazer o papel das actuais notas e que foi justamente o cobre. As barras de cobre tornaram se a primeira moeda universal e, quando se começou a misturar cobre com estanho para fazer um metal mais resistente, muito melhor para forjar armas, esse derivado também se tornou moeda: o bronze.

Os metais foram importantes na denominação do dinheiro e ainda hoje se mantêm as referências a essa circunstância em várias moedas cujos nomes são ilustrativos: a libra (pound, no original) equivale a cerca de meio quilo e “esterlina” é um adjectivo que qualifica o grau de pureza da prata. Uma libra esterlina, então, significa literalmente “meio quilo de prata de boa qualidade”. Hoje, essa quantidade de prata custa muito mais do que uma libra esterlina: custará mais ou menos 200 libras (aproximadamente 240 euros), mas a referência ancestral continua lá.

A criação da moeda ultrapassou muitas dificuldades e contribui decisivamente para a comodidade e a universalidade da respectiva utilização mas ao mesmo tempo foi criando outro constrangimento, o da tangibilização. É que enquanto na troca directa os artigos trocados eram totalmente tangíveis, com a utilização da moeda, precisamos adicionar à equação uma variável preponderante para que o sistema funcione e que podemos resumir numa palavra: confiança.

A confiança de que vamos conseguir trocar os papéis que temos na nossa carteira ou, numa fase mais avançada, os números que nos aparecem no site do nosso banco por coisas de que verdadeiramente necessitamos para viver.

A Moeda imaginária

Na verdade, nós continuamos iguais aos gregos do século VI a.C: acreditamos que o dinheiro vale o que está impresso nele. Uma nota de 20 euros é uma nota de 20 euros. O facto de o país emissor não assegurar a troca dessa nota por 20 gramas de prata, não tem a menor importância. O que importa é que alguém vai estar interessado em vender-lhe a quantidade de prata, ou de qualquer outro bem, que os 20 euros possam pagar. Se, por algum motivo, faltarem notas de 20 euros, o comércio não colapsa porque o governo coloca mais notas de 20 euros no mercado antes de tudo regredir à barbárie.

No séc. XVIII, o Banco de Estocolmo emitiu pela primeira vez notas de banco cujo valor nominal era superior à quantidade de ouro retida nos seus cofres. Surgiram assim, as primeiras emissões de moeda de papel a descoberto, ou seja, sem igual contrapartida de ouro depositado nos cofres do banco. O valor do ouro depositado correspondia apenas a uma parte do valor das notas emitidas. Este tipo de moeda é designado por moeda fiduciária (1) por se basear na confiança que os clientes depositam nos bancos.

Desde essa altura que os bancos centrais se encontram incapacitados de reembolsar em ouro, em simultâneo, todos os seus clientes.

Para gerir o problema, e já no século XIX, os governos começam a intervir no mecanismo de emissão de moeda, confiando esta função apenas aos bancos centrais que directamente controlam. Esta medida é acompanhada pela decisão de inconvertibilidade das notas de banco em ouro, cabendo aos governos estabelecer o valor da moeda-papel emitida, podendo este valor coincidir ou não com o valor do ouro depositado no emissor.

O Estado impôs o curso forçado das notas e dispensou os bancos centrais da sua conversão. Assim aparece o papel-moeda, que é actualmente o tipo de dinheiro em circulação.

No início de 2002, quando o escudo foi substituído fisicamente pelo euro, havia quase 247 mil milhões de euros em notas e moedas a circular pelas nações aderentes à moeda comum. Em Outubro de 2011, o valor das notas e moedas em circulação já ascendia a mais de 837 mil milhões, dos quais 19 mil milhões eram da responsabilidade do Banco de Portugal. Ora, entre 2002 e 2011, os preços subiram, em média, 20% em Portugal. O que custava 100 euros passou a custar 120. Parece muito em apenas uma década, mas essa percepção desaparece diante do facto de o fornecimento de moeda ter crescido 240%. A diferença entre o crescimento da quantidade de moeda em circulação e o aumento dos preços, na prática, mostra quanto cresceu a produção e o respectivo consumo. Cada português, em 2011, podia comprar muito mais coisas do que em 2002, mesmo com tudo a custar 20% mais.

Uma enorme quantidade do dinheiro de hoje, nem sequer existe sob a forma de papel. Encontra-se desmaterializado e o que verdadeiramente circula são números em ecrãs de computadores. A ilusão de que o dinheiro tem valor existe, seja ele feito de prata misturada com outros metais, seja de papel simples com um holograma estampado e nunca foi tão simples usar dinheiro novo para incentivar a produção de riqueza.

Em Outubro de 2011, havia 837 mil milhões de euros sob a forma de notas e moedas, na zona euro mas o total de dinheiro em circulação é muito maior. Se somarmos todas as contas à ordem, os depósitos a prazo, os fundos de tesouraria, as aplicações no mercado monetário, obtemos um valor aproximado de 9,8 biliões de euros.

A virtualização do dinheiro

Tal como já acima referimos, apenas cerca de 8% do total de dinheiro existente, circula na economia mundial, sob a forma de dinheiro físico. Todo o restante é dinheiro virtual, desmaterializado.

O dinheiro não precisa de se materializar para ter valor. Aliás, se isso tivesse de acontecer, não haveria notas suficientes para toda a gente. Mesmo assim, continua a ser dinheiro, por um motivo básico: existe confiança no seu valor (e, apesar de tudo, continua a ser um recurso escasso). Uma moeda (qualquer moeda, digital ou de metal) só tem valor se as pessoas confiarem nela. Enquanto todos acreditarmos que um pedaço de papel estampado tem um determinado valor, então, ele vale essa quantia. Tradicionalmente, é o Estado o responsável por criar e assegurar a validade das moedas (o que é feito principalmente pela cobrança de impostos, que só podem ser pagos com a moeda oficial). Depois, o dinheiro é colocado em circulação através do sistema bancário e chega assim às pessoas e às empresas.

A verdadeira desmaterialização do dinheiro foi iniciada em 1960 com o aparecimento do primeiro cartão de crédito independente, o “Diner’s Club” (2), e desde então, cada vez manipulamos menos as notas e as moedas.

Para alguns, esta virtualização do dinheiro tem um propósito obscuro que é o de fazer com que se perca a noção do seu valor, quanto está a ser gasto. Há inclusivamente quem detecte uma conspiração engrenada pelos governos em conluio com os bancos que são os agentes responsáveis pela emissão e distribuição do dinheiro, respectivamente, que estão afinal na origem das situações de sobre endividamento e da ineficiente gestão do orçamento de cada um.

E o perigo não termina aqui porque este é um caminho sem volta. Cada vez mais transacções dispensarão o dinheiro físico. Computadores, tablets e telemóveis funcionam já como meios de pagamento e as carteiras electrónicas são uma realidade nos países europeus e asiáticos.

A Criptomoeda

No prenúncio da crise do subprime (3) que, a partir de 2007, atingiu o sistema financeiro, com as sucessivas crises das dívidas soberanas de vários países ocidentais, a confiança nos governos e nos bancos foi abalada.

Surgiu então a ideia de criar um sistema monetário descentralizado, não controlado por banqueiros ou políticos, cujo valor não fosse manipulável e que anulasse integralmente a interferência das autoridades financeiras ou governamentais.

De entre as várias moedas digitais, o bitcoin assumiu um papel preponderante. A intenção dos criadores deste projecto passava pelo desenvolvimento de uma economia completamente virtual. Este sistema monetário “peer to peer” (4), fica restrito às transacções feitas por home banking: o dinheiro é transferido de uma conta para outra e o utilizador sabe que a transferência se concretizou porque os números da sua conta ficaram maiores ou menores. Não existe qualquer contacto físico com o dinheiro.

Permitindo transacções financeiras, directamente entre duas pessoas e sem a necessidade da intermediação de um banco ou de um qualquer sistema de pagamento, as vantagens pareciam inúmeras nomeadamente, o anonimato e a eliminação de todos os custos relativos à impressão, transporte e distribuição do dinheiro físico. Uma vez que a transferência de bitcoins é gratuita, a moeda é especialmente atractiva para envios internacionais de fundos, que normalmente quando efectuados através dos circuitos bancários envolvem taxas elevadas e custos cambiais.

Diferente de qualquer moeda, a criptomoeda não é gerida por nenhuma entidade financeira mas sim pela própria “rede ponto-a-ponto” espalhada por todo o mundo para registar e validar as transacções feitas com este tipo de dinheiro que é livre de impostos nas transacções e que, principalmente, por não estar ao alcance de quaisquer medidas governamentais / orçamentais, não pode ser inflacionado.

Esta "e-moeda", emitida a partir de complexos códigos de informática, pode ser conservada em arquivos digitais e negociada em plataformas electrónicas por divisas reais, sem passar pelo sistema bancário.

Desde o lançamento, o fenómeno Bitcoin tem sido considerado uma revolução financeira, apesar dos escândalos provocados por denúncias da sua utilização no tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Com efeito, a eventual (e provável) utilização do bitcoin para o financiamento de actividades ilícitas, tem sido um fator de descredibilização desta moeda electrónica, aumentando a sua volatilidade, que desejavelmente se deveria manter controlada.

Os governos da China e da Tailândia proibiram o bitcoin na sequência da descoberta de que era amplamente utilizado na “Silk Road”, site na internet onde se comercializam drogas e armas e que apesar de encerrado em 2013 pelo FBI, foi entretanto reactivado tendo inclusivamente levado à prisão do vice-presidente da Fundação Bitcoin (5), em Janeiro passado.

Este anúncio agitou o mercado. Que, por fim, entrou em pânico com um segundo golpe, quase devastador: a bancarrota do MtGox (6).

Convém esclarecer que o MtGox não tinha qualquer relação oficial com o sistema Bitcoin. O MtGox era apenas uma das muitas bolsas de negociação de bitcoins (e outras moedas virtuais) e o sistema Bitcoin é formado por uma imensa rede espalhada por todo o mundo.

Mas, indiscutivelmente, havia uma forte ligação entre ambos, já que a maioria das transacções em bitcoins era feita através do MtGox que por sua vez era a maior bolsa a negociar a moeda. Portanto, embora em tese, as ocorrências com o MtGox não impactem directamente no sistema Bitcoin, tratando-se de um activo volátil e cuja cotação flutua ao sabor dos humores do mercado, é claro que na prática havia uma forte interdependência.

Na 2ª feira, dia 24 de Fevereiro de 2014, o MtGox desapareceu e o efeito sobre o bitcoin foi, naturalmente, desastroso. No entanto, contra todas as expectativas, o sistema sobreviveu e a cotação reagiu.

2. Mistérios que rondam a moeda virtual

Exactamente quem criou as Bitcoin tem sido um enigma desde 2009, quando alguém usando o nome de Satoshi Nakamoto (nome tão comum no Japão quanto José da Silva o será em Portugal) publicou um artigo onde descrevia uma moeda digital sob o título “Bitcoin: um sistema Peer-to-Peer de dinheiro electrónico”.

No entanto, porque o autor do artigo e do respectivo programa informático nunca se revelou e, pelo contrário, deixou de fazer qualquer comunicação desde 2011, acreditou-se sempre que Satoshi Nakamoto era um pseudónimo, talvez um anagrama ou até mesmo a designação de um grupo anónimo de programadores.

O mistério que envolve a autoria desta tecnologia, abriu o caminho para muita especulação e para várias teorias da conspiração, que incluem versões como a possibilidade do Bitcoin ser uma experiência governamental concertada, com vista à criação de uma moeda sem fronteiras, desligada de um país concreto.

Outras provas sobre uma possível conspiração surgem com a estranha ligação que Satochi Nakamoto possa ter com o Japão, quando o próprio afirmou ser um homem de 40 anos que mora no Japão mas na verdade utilizou sempre um inglês irrepreensível e nunca apresentou traços de personalidade relacionados com o povo oriental.

Notícias relativamente recentes revelaram que o misterioso criador da moeda digital bitcoin, Satoshi Nakamoto, pode ser afinal um ex-físico americano de origem japonesa, formado pela Universidade Politécnica da Califórnia onde sempre terá vivido. Está actualmente aposentado, tem 64 anos, é casado e pai de seis filhos.

O homem em causa negou categoricamente qualquer envolvimento na criação da moeda virtual e a própria Fundação Bitcoin afirmou em comunicado que "não existe nenhuma prova conclusiva" de que Nakamoto seja o seu criador.

Uma conclusão parece irreversível: a crise financeira que desencadeou a grande recessão de 2008 e que levou bancos centenários à falência, com consequências devastadoras para os Estados Unidos e que provocou ondas de choque que abalaram toda a economia ocidental, deixou muito claro que o poder excessivo de uma única moeda – neste caso o dólar – torna o mercado financeiro muito frágil. A economia global não deve ficar refém de uma moeda – qualquer que ela seja – cuja eventual queda impactará directamente a uma escala mundial.

3. Preocupações e Regulação

Uma das preocupações sempre manifestadas pelos economistas quando são chamados a pronunciar-se sobre o bitcoin, prende-se com a sua excessiva volatilidade. A cotação do bitcoin contra o dólar, por ex. e no espaço de 1 ano, oscilou entre uma valor mínimo de 13 usd e máximo de 980 usd e o seu valor pode variar abruptamente durante o mesmo dia (já registou perdas de 70% no espaço de 24 horas). Apesar disso, é-lhe apontada uma resiliência notável e o seu comportamento sustentado é caracterizado por corrigir em baixa as subidas mais abruptas estabilizando sempre num patamar superior aquele onde se encontrava antes da alteração.

Esta volatilidade torna amargo pensar que se pagou por uma determinada compra um valor desajustado e que se teria pago menos de metade, muito pouco tempo depois e ainda durante o mesmo dia. Então talvez a verdadeira função do bitcoin passe pela acumulação / poupança e não pela sua transacionalidade. Mas, sem movimentação a moeda não se afirmará e no que respeita ao bitcoin isso só tenderá a acontecer quando a sua cotação estabilizar, no longo prazo.

Paul Krugman, Nobel da Economia em 2008, faz a apreciação do bitcoin em dois planos que entende ser sempre importante distinguir: o da economia positiva - como as coisas funcionam – de o da economia normativa - como as coisas deveriam ser.

A discussão em torno do bitcoin faz-se essencialmente no plano da economia positiva e por isso a principal questão colocada sobre o assunto é: isto pode realmente funcionar?

Para ser bem-sucedido, o dinheiro deve ser ao mesmo tempo um meio de troca e uma reserva de valor razoavelmente estável. Neste momento, aparentemente, o bitcoin ainda não estará em condições de assegurar essas duas funções, de forma satisfatória. Esta é a equação colocada pela economia positiva.

E quanto à normativa? O bitcoin parece ter sido projectado com um objectivo claro de afrontar os bancos centrais emissores de dinheiro, eventualmente com uma agenda igualmente politica que limite a capacidade de cobrança de impostos por parte dos Estados e os impeça de monitorar muitas das transacções comerciais e financeiras dos seus cidadãos.

Entre os economistas conceituados, à semelhança de Paul Krugman, as vozes são essencialmente cépticas e críticas relativamente ao bitcoin, algumas aliás bastante ferozes como é o caso de outro Nobel da Economia, Robert Shiller, que afirma que o principal problema do bitcoin é que ele, efectivamente, não resolve nenhum dos problemas económicos actuais.

Existem algumas razões de fundo para que o bitcoin não seja muito bem visto pela maioria dos governos e instituições financeiras em todo o mundo: para além de constituir uma afronta directa às moedas consolidadas do mundo moderno – como o dólar e o euro – é também uma ameaça à própria economia baseada em moeda, uma vez que altera de forma drástica a lógica em que a mesma actualmente assenta. Persiste o receio – fundado e que é partilhado por muitos agentes económicos - em relação à utilização do bitcoin para finalidades ilícitas e branqueamento de capitais, já que não existem formas claras de controlo.

A falta de regulamentação e o anonimato completo facilitam e propiciam a utilização do bitcoin para transacções ilícitas. Dificilmente, instituições sérias sentirão a segurança suficiente para utilizar o bitcoin como a sua moeda principal. A volatilidade do bitcoin torna-a uma moeda pouco confiável quando comparada com as moedas tradicionais que são controladas pelos governos e que fazem o possível – em teoria – para manter a sua estabilidade. Mesmo entre os seus maiores defensores, existe a convicção de que o mercado financeiro digital precisa de muitas melhorias para ser viável e uma elas é dotá-lo de alguma moldura legal e regulamentar.

A moeda, hoje, não obedece a qualquer autoridade e não está sob nenhum tipo de controlo. Nestas condições, parece pouco provável que a sua utilização obtenha a dimensão que precisa para a desejada estabilização que lhe permitirá continuar a ganhar massa crítica. Para que o bitcoin seja amplamente adoptado nas transacções do dia a dia, dificilmente poderá prescindir de um aval oficial. A desejada universalidade – ou a sua melhor aproximação – e que passará pela utilização massiva em transacções privadas, precisa de um esboço de regulamentação. Alguns sinais nesse sentido já foram dados em países como a Alemanha, os próprios Estados Unidos e no Japão onde, por decreto, o governo já qualificou o bitcoin como uma mercadoria e não uma divisa o que parece antecipar um passo pioneiro no sentido do enquadramento jurídico da moeda.

Parece relativamente claro que o bitcoin atravessa uma fase muito crítica, estando talvez perante o seu teste definitivo e que se lhe sobreviver e conseguir estabilizar a sua cotação, provavelmente tornar-se-á uma realidade incontornável. Ninguém pode antecipar o futuro do bitcoin mas na verdade, são já aceites por centenas de estabelecimentos em todo o mundo. E como o euro só serve para fazer compras na União Europeia e a nakfa (7) só é aceite na Eritreia, o bitcoin – a moeda virtual que causou uma febre financeira - cria uma ideia relativamente inédita de país sem fronteiras. E que ainda pode mudar o mundo.

(1) Fiduciário – com origem no latim fidúcia, significa confiança

(2) Diner’s Club – Primeiro cartão de crédito independente, criado em 1950 e cuja utilização se circunscrevia à restauração, viagens e entretenimento.

(3) Sub-prime – Crédito de risco elevado concedido a um tomador que, por não oferecer as garantias suficientes, não pode beneficiar da prime rate – taxa de juro mais vantajosa. Normalmente aplicado para designar uma forma de crédito hipotecário (mortgage) para o setor imobiliário e destinada a clientes de maior risco.

(4) Peer-to-Peer - Ponto-a-Ponto que também utiliza a sigla P2P, é uma arquitectura de rede de computadores onde cada um dos pontos da rede funciona simultaneamente como cliente utilizador e como servidor, permitindo partilha de dados sem a necessidade de um servidor central.

(5) Fundação Bitcoin – Fundada em Setembro de 2012 por alguns heavy-users da moeda, com o objectivo de standarizar, proteger e promover a utilização do bitcoin para benefício de todos os seus utilizadores.

(6) MtGox - site japonês que foi até ao início do ano um dos maiores para compra e venda de bitcoins em todo o mundo.

(7) Nakfa – moeda oficial do estado da Eritreia, país localizado no “chifre d
e áfrica”

Fonte : World Finance

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30 Mai 2014
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Mensagem Re: Vamos falar de Criptomoedas?
falaram me disto na semana passada.... tou a ver que nao era tangas!!

dizem que é completamente nao rastreavel, usado para contratar hitman e afins!
em breve pague uma GP com os seus bit coin....


o mal disto é que tanto pode custar 10 bitcoin ir ao pito por 100 eur ou os mesmos 10 bitcoin que serão 1000 eur!! :shock:

06 Nov 2015
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Mensagem Re: Vamos falar de Criptomoedas?
se conseguirem estabilizar as cotações, será uma ideia interessante ;)

rogoliveira, plo que entendi: se me pagas 10 bitcoins de manhã, valendo 100e, durante a tarde eles "tranformam-se" em 1000e (mas se não os "levantar", e fiquei com a dúvida de como se faz esta operação), mas à noite já só tenho 50e pois a cotação alterou de novo...

logo, ainda não é viável para nenhum de nós os 2... :wink:

06 Nov 2015
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Mensagem Re: Vamos falar de Criptomoedas?
eu segui os bitcoins desde que valiam 10 dolares ate´chegarem aos 200 (está em 500 hoje, 200 foi ha 3 anos sensivelmente), depois nao voltei a seguir até o mt.gox ter dado a noticia que tinham roubado bitcoins ( o que foi uma aldabrice tendo sido eles a dar cabo de tudo ). O bitcoin tem tendencia a se valorizar desde que a sua utilizaçao continue.

Isto no meu ver devido a dois fatos. Quantas mais bitcoins existirem, mais dificil e demorado custa criar um. O bitcoin foi desenhado para só existirem x unidades ( ja soube o numero, dai dizer antes que quanto mais for usado mais valor terá), ou seja a partir desse numero não havera possibilidades de emitir ou criar mais. Por isso é que tem aparecido varias moedas virtuais, inclusive existe uma tuga( se me lembro chamada de cryptoescudo). Essas moedas nao possuem o mesmo valor do bitcoin, ficando bastante abaixo. Ha outra que tambem esta muito em voga ( nao me lembro do nome agora) que é usada quase como se fosse os centimos do bitcoin. o bitcoin se me lembro só desvalorizou bastante quando o escandalo da mtgox. Ja foram criadas maquinas( computadores) com N placas graficas a trabalhar em simultaneo para criar bitcoins, existem forums e grupos de pessoas que usam os seus pcs em conjunto para criar bitcoins. Na altura em que esses pcs apareceram o preços dos mesmo ia desde 1000 euros até os 5000. Esses ainda compensavam porque o gasto de energia dos mesmos para criar um bitcoin era inferior ao valor do mesmo bitcoin."Cheguei a tratar de encomendar uma maquina dessas, mas ja havia reservas até 2017 e as primeiras so seriam entregues em 2016. isto por volta de 2014, oq ue significa que na altura em que tivesse a maquina em meu poder ja nao valeria a pena o investimento. Qualquer um de nós pode usar o seu pc para criar bitcoins, mas devido ao custo originado para criar um ser muito elevado acaba por nao compensar. Lucro brutal foi aqueles que iniciaram a produçao e guardaram os bitcoins até valerem 100 dolares. imagino quem os guardou até o valor de hoje.

06 Nov 2015
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Mensagem Re: Vamos falar de Criptomoedas?
Menina Sarah,

de facto tem razao no que diz... mas vale a pena sonhar :-"

11 Nov 2015
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Mensagem Re: Vamos falar de Criptomoedas?
Quem aqui está a investir em Criptomoedas?

Eu há uns tempos venho investindo bem, até agora estou-me a dar bem e com bons retornos.

As minhas preferidas são, Cardano, Eos, Ontology, VeChain, Etherium, Neo.


Nunca se falou tanto de moedas criptográficas ou moedas digitais como agora. Se a moda se tornou generalizada com a bitcoin, a hegemonia da primeira foi abalada pela chegada de irmãs mais novas como a Ethereum, a Litecoin, a Ripple, NEO., etc. Estas moedas tem batido recordes e estão a tornar-se no ouro moderno, mas para entrar neste jogo é preciso conhecer as regras.

Comprar criptomoedas pode ser confuso porque não funciona como a maioria dos investimentos. Em vez de comprar ações, por exemplo, o investidor adquire tokens, uma espécie de códigos digitais que representam as moedas.

Para saber a cotação das moedas digitais, bem como comprar e vender moeda, existem portais específicos para o efeito. Alguns exemplos são o CoinMarketCap, o Coinbase, o Kraken, o BTC ou o CryptoPay. Para começar, os investidores têm de criar uma conta num destes sites, associar-lhe uma forma de pagamento e, depois de todas as verificações de segurança, criar uma carteira (wallet) de moedas digitais.

Quanto às escolhas de investimento, depende da preferência do comprador. A bitcoin é a criptomoeda mais antiga e mais valiosa. A quebrar recordes de apreciação regularmente, a bitcoin o ano passado em Dezembro obteu a marca histórica dos 20.000 dólares.

No entanto, alguns analistas já começaram a levantar questões sobre até onde ou até quando vai subir o valor da bitcoin. Por outro lado, o investidor pode querer apostar numa criptomoeda em ascensão, como é o caso da Ethereum.

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Mensagem Re: Vamos falar de Criptomoedas?
Desde o final do ano passado que tenho apenas uma "brincadeira" constituída por Ethereum e Litecoin.
Os valores estabilizaram este ano, ora sobem ligeiramente ora descem. É deixar a marinar ou negociar a venda em alta e depois esperar que esteja em baixo para recomprar.

Tenho boa impressão da segurança, outlook e facilidade de utilização da Coinbase. Quanto às outras desconfio bastante depois de terem dado a palmada à conta do meu filho (Exodus), entrando no pc dele para vasculhar todas as passwords e registos e onde já tinha gerado um ganho de 3000%...

Recomendo, se tiverem criptomoedas, que desliguem os routers de noite ou quando o não utilizem...

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