Imaginemos que nos próximos 5 anos o Bayern deposita cada ano 5 Milhões na conta bancária do Benfica, na sequência do negócio Renato.
E que há 2 formas de registar contabilisticamente isso:
1. Venda por 60 Milhões, mais 20 por objectivos. (60 = 35 pagos a pronto, 25 pagos a prestações)
2. Venda por 35 Milhões, mais 45 por objectivos. (45 = 25 por objectivos extremamente fáceis de concretizar, e 20 por objectivos difíceis de concretizar).
Nos 2 casos, em cada ano os 5 Milhões entram nas contas bancárias do Benfica, até perfazer 25. É exactamente igual. O movimento do dinheiro é exactamente igual nos 2 casos.
Mas contabilisticamente seria muito diferente.
Se a venda fosse contabilisticamente por 60 +20, neste momento teria um activo maior e na época passada teria tido proveitos maiores. Concretamente mais 25 Milhões de proveitos. Num ano em que não eram sequer necessários para cumprimento do fair play financeiro, pois o Benfica até teve um resultado positivo. Ter mais 25 ou menos 25 não mudava nada. No entanto, esses 25 Milhões dão muito jeito noutras épocas. Épocas em que já sabemos à partida que os proveitos operacionais não chegam para cobrir os custos operacionais. Mas para esses 25 Milhões poderem ser úteis noutras épocas, eles têm de ser registados contabilisticamente como proveitos noutras épocas. E não poderiam ser contabilizados como proveitos noutras épocas se já tivessem sido contabilizados como proveitos na época passada.
E como é que são contabilizados noutras épocas?
Sendo registados como proveitos dependentes do cumprimento de objectivos, e não como prestações dum negócio já anteriormente contabilizado como proveito.
Aliás, outros clubes poderiam ou se calhar até deveriam ter feito o mesmo. Mas para os presidente desses clubes pode ser mais melhor bom mostrar um negócio que parece grande que um negócio que parece pequeno, mesmo que o que parece mais pequeno fosse mais util para o clube.
É mais ou menos como acabarem as construções das auto-estradas um ano antes ou um ano depois. Há quem prefira um ano depois, porque esse é um ano de eleições. Mesmo que tivesse sido mais útil para as pessoas se tivesse acontecido um ano antes.
Depende das prioridades de cada um.
