Os fundos... os fundos...
O problema não eram os fundos.
O Benfica usava um fundo que não tinha nada de errado.
Era controlado pelo Benfica, por benfiquistas e por parceiros do Benfica.
Basicamente, alguns benfiquistas que tinham liquidez que faltava ao Benfica, investiam no fundo, e compravam partes de jogadores do Benfica. Assim, o Benfica conseguia ter jogadores para os quais não tinha dinheiro suficiente. Mas isso era uma chatice para os adversários do Benfica, obviamente.
Quando os fundos foram proibidos de possuir passes de jogadores, o Benfica comprou o fundo.
Não foram para tribunal, não se insultaram nos jornais, nem sequer se chatearam.
O Benfica pegou em carcanhol e comprou aquilo tudo. E pronto.
O problema eram os fundos que se aproveitavam de clubes em extrema necessidade. Basicamente, eram como agiotas.
Os fundos são (ou eram) um bicho papão sobretudo para quem já está à rasca.
Tal como um agiota é um bicho papão só para quem não tem dinheiro e não consegue obter empréstimo do banco.
Alguns fundos aproveitavam-se das dificuldades de alguns clubes para lhes impor condições muito desvantajosas. Alguns clubes, por necessidade ou por excesso de ambição, não tinham outra alternativa a não ser aceitar essas condições.
Mas por causa de uns não tinham de pagar os outros. Mas pagaram.
Obviamente isso interessou a alguém.
Neste caso interessava aos clubes das ligas mais fortes. Alemã e Inglesa, sobretudo.
Só tiveram de arranjar uma marionete dum clube das ligas mais fracas que ajudasse a legitimar a medida de acabar com os fundos.
Para poderem mostrar ao mundo que não eram só os fortes que queriam acabar com os fundos.
Aliás, com a medida de proibir os fundos de possuirem passes ou partes de passes de jogadores. Os fundos não acabaram. Agora compram clubes em vez de comprarem jogadores.
Não misturar este fenómeno com a ganância dos empresários. Esse fenómeno já é mais antigo. Os fenómenos cruzaram-se, mas são diferentes.
Tal como é diferente este fenómeno da entrada de capitais no futebol. Primeiro os novos ricos que queriam jogar football manager, só que com dinheiro real e jogadores e clubes reais. Depois, grupos económicos de países ainda sem grande expressão futebolistica, os tais mercados emergentes. Essa entrada enorme de dinheiro está a conduzir a uma inflação. É um principio básico de economia. Quer seja através de fundos, compras de clubes, parcerias com clubes e agentes, patrocinios e sei lá que mais.
Estes 3 fenómenos, que na sua essencia são bem diferentes uns dos outros, na realidade cruzam-se e interagem, e estão a conduzir a uma "revolução" no futebol.
Quem não tem dinheiro ou quem tem muito pouco lixa-se quando há inflação. Mais ainda quando tentam comprar bens não essenciais em vez de comprar somente os essenciais.
É como no filme da tempestade perfeita... uma tempestade dali, um ciclone dacolá, um sistema de baixas pressões, encontram-se todos ao mesmo tempo no mesmo local... e dá merda da grossa.
